5582697802 Fairport Convention | gerarockmp3

Historia

Não há confraria folk que se preze sem a comparência dos Fairport Convention. Com mais de 40 anos de história e mais de 25 membros nas suas fileiras, a mítica banda britânica, pioneira no tratamento elétrico da música tradicional, não dá mostras de desistir. Mas os Fairport Convention de hoje são um agradável anacronismo. Um jarrão que fica bem continuar exposto mas cuja criatividade e importância empalideceram há décadas. A eternidade e sacralização dos Fairport Convention erguem-se em apenas três anos. De 1968 a 1970, cinco discos magníficos chegam e sobram para sustentar e justificar a influência do grupo. É a música da América que começa por agitá-los, em emanações intermitentes de Bob Dylan e Joni Mitchell. Mas, para lá das reverências aos mestres, o primeiro álbum da banda revela sensibilidades mais psicodélicas que folk e é a obra mais fragmentada da sua quase interminável discografia. Fairport Convention oscila entre o Sol e a Lua, entre o imediatismo de Time Will Show The Wiser ou If (Stomp) e temas mais contemplativos, como One Sure Thing, I Don't Know Where I Stand e o sublime Decameron. O igualmente excelente The Lobster mergulha-nos num escuro aquário psicodélico, enquanto Sun Shade flui como as ondas da west coast californiana. A primeira exposição dos Fairport Convention tem tanto de ingênuo como de experimental. A banda é ainda refém das suas influências, mas as composições em nome próprio vincam já algum do seu caráter. Richard Thompson sai lentamente da crisálida como um dos melhores guitarristas e compositores britânicos das últimas décadas. Este é, igualmente, o único disco do grupo que conta com Judy Dyble como vocalista. O seu registro aproxima-se de Joni Mitchell e Grace Slick, o que, apesar de agradável, não nos prepara para o assombro que estava para vir: uma doce tempestade chamada Sandy Denny.  Indubitavelmente uma das melhores vozes que a Inglaterra deu ao mundo, a jovem de formas robustas e look campestre injetou energia renovada nos Fairport Convention. What We Did On Our Holidays, segundo álbum da banda, é uma obra mais direta e sólida, em que a timidez e introspecção que povoavam grande parte do seu antecessor dão lugar a um som mais expansivo. A sombra da folk encobre cada vez mais o coletivo e o tema que abre este segundo capítulo da sua vida discográfica é a melhor porta de entrada possível. Fotheringay é o seu nome e a conjunção da voz de Sandy com a guitarra acústica parece ter sido criada para sustentar a expressão pele de galinha. Sublime, etérea e mística, Fotheringay seria suficiente para garantir o Olimpo aos Fairport Convention. Depois de recompostos da triste história de Mary, Queen of Scots, há outras delícias para descobrir. Duas versões bem conseguidas de Joni Mitchell e Bob Dylan (esta última - I'll Keep It With Mine - especialmente saborosa). Blues insular em Mr. Lacey, rock com f de folk no clássico Meet On The Ledge e duas abordagens inovadoras e igualmente eletrificadas de canções tradicionais inglesas (Nottamun Town e She Moves Through The Fair). A capa do disco possui igualmente a sua história: foi desenhada a giz pelos membros da banda no quadro de uma escola, antes de um concerto. Poucos meses depois, Unhalfbricking avança progressivamente pelos territórios da folk, quer britânica, quer americana, deixando o rock de lado em tudo exceto no suporte instrumental. Infalível do princípio ao fim, o terceiro álbum dos Fairport Convention guarda muitos dos seus melhores temas. É o disco de A Sailor's Life, revisitação épica e oceânica da canção tradicional com o mesmo nome e um dos marcos primordiais no surgimento da folk elétrica. As revisitações e sub versões do repertório dylanesco continuam, desta feita com realce para a espantosa versão de Percy's Song e a transformação de If You Gotta Go, Go Now numa espécie de canção folclórica da Bretanha francesa chamada Si Tu Dois Partir. Os dois membros mais proeminentes da banda oferecem prestações superlativas e contribuem com criações próprias da mais fina safra: Sandy Denny com os excelsos Autopsy e Who Knows Where The Time Goes?; Richard Thompson com Cajun Woman e o belíssimo Genesis Hall. Se a música de Unhalfbricking é lendária, a capa que lhe dá rosto também quase algo de mítico. Os senhores da foto são os pais de Sandy Denny. A banda aparece por entre os buracos da vedação e é possível discernir com facilidade as cabeças de todos os elementos. Muita gente diz que foi propositado, os próprios dizem que foi pura coincidência. Eu também prefiro acreditar na segunda... Ainda em 1969, um novo álbum vê a luz do dia. Os Fairport Convention viviam um período de euforia criativa e ao quarto disco alcançam o seu momento definitivo. Liege & Lief é o melhor álbum de sempre a ser rotulado folk rock. O efeito é o de um bando de jograis medievais metidos numa máquina do tempo e a quem deram instrumentos elétricos e uma bateria para tocar umas cantigas lá do feudo. Somente três dos oito temas originais foram compostos internamente. Os restantes são adaptações ao universo rock do legado musical britânico. É isto que faz de Liege & Lief um disco único, um objeto estranhamente familiar e belo, mas igualmente atavístico e pesado como as areias do tempo. Torna-se quase impossível distinguir os temas novos dos antigos, pois todos estão embebidos no mistério da música alimentada por lendas e mitos. Matty Groves e Tam Lin são épicos e intensos, narrativas que brotam das fogueiras das muitas noites em que foram contadas e que continuam a atravessar gerações. Reynardine e The Deserter são lamentos forjados na pedra dos castelos e no verde da Inglaterra rural. Os temas compostos pela banda são igualmente afetados por este regresso ao campo, aos segredos dos bosques e ao animismo da Natureza. Come All Ye é um convite à dança sob o luar, por oposição ao recolhimento solitário de Farewell, Farewell e à melancolia outonal de Crazy Man Michael. Uma obra-prima da música inglesa, Liege & Lief mudou para sempre a forma como a música tradicional foi vista, deixando de ser uma curiosidade cultural para se tornar um elemento passível de fusão e aberto à modernidade. É difícil para qualquer banda recuperar da perda de alguém como Sandy Denny. Os Fairport Convention não foram exceção. Esta perda (primeiro musical, depois definitiva, pois Sandy viria a falecer em 1977) é notória no quinto álbum do coletivo, Full House. Editado em 1970, é o disco feito pelos homens deixados sozinhos sem a mulher para orientar a casa. Isso resulta num trabalho mais musculado, o mais orientado para o rock até então na sua carreira, mas sem perder nada do espírito folk do seu antecessor. Full House é estranhamente viciante. É um registro com tendência mais sombria, sem a luminosidade projetada por Sandy Denny e em que as vozes são agora repartidas pelos vários membros da banda. Não faltam momentos de comunhão perfeita entre os músicos, especialmente em Doctor of Physick e Sir Patrick Spens, ambas com um violino irresistível - culpa de Dave Swabrick. Magnífico é também o entrosamento nos momentos mais sombrios e introspectivos, como Poor Will & The Jolly Hangman, Now Be Thankful e o majestosamente inebriante Sloth (muito graças à guitarra em êxtase contido de Richard Thompson). Para espíritos festivos, recomenda-se Walk Awhile e duas danças tradicionais transformadas em folk rock: Dirty Linen e a frugalmente intitulada Sir B. McKenzie's Daughter's Lament For The 77th Mounted Lancer's Retreat From The Straits Of Loch Knombe, In The Year Of Our Lord 1727, On The Occasion Of The Announcement Of Her Marriage To The Laird Of Kinleakie... Após Full House, o percurso dos Fairport Convention tornou-se erraticamente estável. A sua história discográfica até aos dias de hoje é feita de trabalhos mais ou menos interessantes mas incomparavelmente menores que estes cinco ases saídos do mesmo baralho. De todos os elementos da banda, será Richard Thompson (que saiu logo após o término de Full House) aquele que ainda produz música relevante. E apenas Simon Nicol resta deste período imaculado...

Curiosidades

Marcada por várias mudanças na formação em sua primeira década, o Fairport Convention desmembrou-se temporariamente em 1979 mas continuou tocando em reuniões anuais até seu retorno em 1985. Desde estão, o grupo permanece estável e continua a viajar em turnê e a lançar álbuns regularmente.

Integrantes

Simon Nicol (Guitarra, Vogal, 1967-1971, 1976-1979, desde 1985)
Dave Pegg (Guitarra Baixo, Bandolim, Backing Vocal, 1969-1979, desde 1985)
Ric Sanders (Violinos, Teclados Ocasionais, desde 1985)
Chris Leslie (Violino, Bandolim, Bouzouki, Vocais desde 1996)
Gerry Conway (Bateria e Percussão, desde 1998) 
 

Ex-Integrantes.


Richard Thompson (Guitarra, Vocal, 1967-1971)
Ashley Hutchings (Baixo, 1967-1969)
Shaun Frater (Bateria, 1967)
Martin Lamble (Bateria, 1967-1969, R.I.P 1969)
Judy Dyble (Vocais, Harpa, Piano, Gravador, 1967-1968)
Iain Matthews (Vocais, 1967-1969)
Sandy Denny (Vocais, Guitarra, Piano, 1968-1969, 1974-1975, R.I.P 1978)
Dave Swarbrick (Violino, Bandolim, Vocal, 1969-1984, R.I.P 2016)
Dave Mattacks (Bateria, Teclados, Baixo, 1969-1972, 1973-1975, 1985-1997)
Roger Hill (Guitarra, Vocal, 1971-1972, R.I.P 2011)
Tom Farnell (Bateria, 1972)
David Rea (Guitarra, 1972, R.I.P 2011)
Trevor Lucas (Guitarra, Vocal, 1972-1975, R.I.P 1989)
Jerry Donahue (Guitarra, 1972-1975)
Paul Warren (Bateria, 1975)
Bruce Rowland (Bateria, 1975-1979, R.I.P 2015)
Dan Ar Braz (Guitarra, 1976)
Bob Brady (Piano, 1976)
Roger Burridge (Bandolim, Violino, 1976)
Maartin Allcock (Guitarra, Bandolim, Teclado, Vocais, 1985-1996)

Discografia

Álbuns de estúdio

Fairport Convention 1968 - Link

What We Did on Our Holidays  1969 - Link

Unhalfbricking 1969 - Link

Liege & Lief 1969 - Link

Full House 1970 - Link

Angel Delight 1971 - Link

Babbacombe Lee 1971 - Link

Rosie 1973 - Link

Nine 1973 - Link

Rising for the Moon 1975 - Link

Gottle O'Geer 1976 - Link

The Bonny Bunch of Roses 1977 - Link

Tipplers Tales 1978 - Link

Gladys Leap 1985 - Link

Expletive Delighted 1986 - Link

In Real Time 1987 - Link

Heyday 1987 - Link

Red And Gold 1989 - Link

The Five Seasons 1990 - Link

Jewel in the Crown 1995 - Link

Old New Borrowed Blue 1996 (Fairport Acoustic Convention) - Link

Who Knows Where the Time Goes 1997 - Link

The Cropredy Box 1998 - Link

Cropredy 98 1999 - Link

The Wood and the Wire 1999 - Link

XXXV 2001 - Link

Over the Next Hill 2004 - Link

Sense of Occasion 2007 - Link

Ao Vivo

Fairport Live Convention 1974, vulgo A Moveable Feast - Link

Live at the L.A. Troubadour Janeiro de 1977 (Gravado em Setembro de 1970) - Link

Farewell Farewell 1979, vulgo Encore Encore - Link

Moat On The Ledge - Live At Broughton Castle 1982 - Link

House Full Junho de 1986 (Gravado em Setembro de 1970) - Link

25th Anniversary Concert 1992 - Link

The Quiet Joys of Brotherhood 2004 - Link

Journeyman's Grace 2005 - Link

Live at the BBC 2007 - Link

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               Vídeos

                                                                                                                         

 
 
 
 
 

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